A higiene hospitalar caracteriza-se como uma limpeza técnica, com sua incomparável preocupação com a saúde humana. São as atividades de limpeza nos estabelecimentos de saúde, que proporcionam um local viável para a realização dos serviços de atendimento. Ao entender que a limpeza hospitalar está diretamente ligada à saúde das pessoas temos que, efetivamente, assumir a responsabilidade de realizar da forma adequada as atividades, em função da grande importância que elas possuem. Por esse motivo, entenda quais são as principais regras e procedimentos para a limpeza e higiene hospitalar, por meio das orientações da Priscilla Marys Costa dos Santos, Bióloga e Professora do CEPNKA – Escola da FACOP, que responde as principais questões sobre o tema.

– Existem regras específicas para a limpeza em ambientes de atendimento à saúde? Por quê?

PMCS – Tendo em vista que o principal objetivo da limpeza profissional é promover proteção à saúde, como preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a limpeza profissional em locais de assistência à saúde, como hospitais, clínicas, ambulatórios, deve seguir diretrizes específicas orientadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Nestes ambientes, a ideia principal é o controle de infecções e disseminação de doenças. Estas regras, por sua vez, surgiram a partir de pesquisas e conhecimento científico, sendo passíveis de sofrerem alterações conforme novas descobertas sejam realizadas. Assim, é indiscutível que os profissionais do setor do Asseio e Conservação que prestam serviços nestes ambientes trabalhem com responsabilidade cumprindo com dedicação e cuidado todos os procedimentos recomendados pelo local em prol da saúde de todos.

– O que é SCIH e o que tem a ver com a limpeza e higiene hospitalar?

PMCS – O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) é o setor especializado que desenvolve suas atividades executando ações necessárias para a identificação precoce das infecções hospitalares, a fim de garantir a segurança total dos pacientes. No ambiente hospitalar há a presença não apenas de sujidades visíveis, mas também daquelas não visíveis (microrganismos como bactérias, vírus, fungos e outros). Ao limparmos sujidades, devemos dar atenção a estes microrganismos, e, em especial aos patogênicos, que causam doenças. O SCHI tem como função primordial orientar a todos profissionais que prestam serviços em um local de assistência à saúde, como médicos, enfermeiros, profissionais de áreas como nutrição, fisioterapia e limpeza no controle de agentes infecciosos.

– Do que trata o treinamento de NR32?

PMCS – A Norma Regulamentadora Número 32 (NR 32) trata da segurança e saúde no trabalho em serviços que prestam assistência à saúde. Esta NR estabelece as orientações e medidas de proteção à saúde dos trabalhadores que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. A NR 32 coloca a capacitação como item obrigatório para todas as categorias profissionais, tendo como objetivo principal a segurança e proteção do trabalhador com relação aos riscos inerentes a sua função, por meio de treinamentos que os conscientizem e os preparem para agir de forma segura frente aos riscos ocupacionais (em especial os riscos químicos e biológicos).

– O que é desinfecção e descontaminação e por qual motivo elas precisam ser realizadas na limpeza e higiene hospitalar?

PMCS – A descontaminação é um processo que tem o objetivo de eliminar – total ou parcialmente – os microrganismos. Já a desinfecção consiste em destruir os microrganismos causadores de doenças existentes em uma superfície não viva, independentemente de sua forma. O processo de higienização envolve não apenas o ato de limpar, mas também a desinfecção de superfícies. Em uma UTI, por exemplo, é realizada a desinfecção para que tenhamos segurança de que os agentes infecciosos estejam controlados naquele local. Desta forma, é importante que o profissional de limpeza siga com rigor sua rotina de trabalho e tenha responsabilidade de efetuar a limpeza e/ou desinfecção nos locais recomendados. Estes procedimentos são essenciais para o controle de agentes infecciosos e manutenção da saúde humana.

– Como são classificadas as áreas em unidades de assistência à saúde?

PMCS – A classificação de áreas em locais que prestam assistência à saúde foi baseada no risco de contaminação de superfícies e desenvolvida com base no risco de transmissão de infecções. A classificação de áreas em ambiente hospitalar é a seguinte:

  • Críticas – onde há pacientes com maior risco de transmissão de infecções e, muitas vezes, acontecem procedimentos invasivos havendo, inclusive, presença de matéria orgânica, como UTIs, centros cirúrgicos, RX-renal, lactários etc;
  • Semicríticas – nas quais o risco de transmissão de doenças é menor e, embora existam pacientes, estes não requerem cuidados de alta complexidade ou isolamento, como enfermaria, ambulatórios, banheiros etc.;
  • Não críticas – todos os ambientes dos estabelecimentos assistenciais de saúde não ocupadas por pacientes e onde não se realizam procedimentos de risco, como vestiário, copa, secretaria, etc,.

Deve-se respeitar, portanto, procedimentos e cuidados que cada área requer para que as ações contra possíveis transmissões de infecções sejam realizadas de forma efetiva.

– Quais são os tipos de limpeza hospitalar?

PMCS – No que se refere aos tipos de limpeza na área hospitalar, as mesmas podem ser: concorrente ou terminal. A limpeza concorrente é a limpeza de rotina – realizada diariamente, sempre que necessário e, muitas vezes, com o paciente presente –, o que inclui a limpeza de pisos, instalações sanitárias, esvaziamento e troca de recipientes de lixo etc. Já a limpeza terminal é aquela completa, detalhada, incluindo todas as superfícies horizontais e verticais, internas e externas. Esta é realizada quando o paciente não está mais presente (após alta, óbito, transferência etc). Trata-se de uma limpeza com o objetivo principal de desinfecção e preparação do ambiente para receber um novo paciente.

– O profissional da limpeza pode retirar ou descartar materiais provenientes da assistência ao paciente no quarto, como agulhas, frascos de soro, entre outros?

PMCS – Não. Esta é uma responsabilidade da pessoa que gerou aquele resíduo. Se um enfermeiro aplicou uma injeção em um paciente e a agulha por algum motivo encontra-se no chão, cabe ao profissional de limpeza que eventualmente se deparar com aquele resíduo, solicitar ao profissional de enfermagem que o descarte. Isso está previsto na NR 32 e deve ser seguido, uma vez que acidentes de trabalho com perfuro cortantes são comuns em locais que prestam assistência à saúde.

– Existe uma frequência correta para cada tipo de limpeza hospitalar?

PMCS – Sim, existe uma frequência de limpeza de cada ambiente nos locais que prestam assistência à saúde e isso é feito com base na classificação das áreas e nos tipos e processos de limpeza, como já conversamos anteriormente. Tudo isso é delineado na criação do POP (Procedimento Operacional Padrão) hospitalar, documento que traz de forma padronizada e clara todas as informações pertinentes à limpeza técnica realizada no ambiente hospitalar, para que tenhamos a padronização da limpeza, além de sua qualidade e previsão dos resultados no que se refere ao controle de agentes infecciosos. Não é por acaso que limpamos uma área crítica com maior frequência do que uma área não crítica. Tudo isso é pensado de antemão justamente visando controlar de forma eficiente a proliferação de microrganismos patogênicos.

– São necessárias precauções de isolamento, em casos de risco de contaminação?

PMCS – Sim.  As áreas de isolamento dentro de um hospital são áreas críticas. Assim, devemos tomar precauções para que agentes infecciosos não sejam disseminados. Para limpeza em ambientes de isolamento os hospitais fornecem kits de limpeza que devem ficar restritos àquele ambiente, ou seja, não devem circular por outras áreas dos hospitais. A finalidade é diminuir a possibilidade de transmissão daquele agente infeccioso para outras áreas do hospital, bem como o uso de equipamentos de proteção individual adequados, para que o funcionário esteja também protegido.

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