Artigo de Romano Mestre Dallalana – Professor do CEPNKA – Escola da FACOP

Você já se fez esta pergunta: – Você pratica a biossegurança no seu dia a dia? Pois deve e muito!

A biossegurança é literalmente a segurança da vida, dos seres humanos, dos animais, do meio ambiente, ou seja, da sua.

Aplicando o conceito de biossegurança nas atividades de asseio e conservação vemos que o mais importante, além dos conhecimentos técnicos adquiridos e boas práticas de operação, é ter bom senso. Antes de executar qualquer tarefa é necessário ter um sentido apurado, afinado e aguçado na observação e identificação dos riscos no local de realização dos serviços. É preciso levar em consideração que uma avaliação bem-feita ajuda a eliminar ou minimizar riscos inerentes a atividade, uma vez que o trabalhador lida com sujidades e contaminações que podem lhe causar doenças ocupacionais e a terceiros.

A partir da definição dos riscos e identificação dos perigos, realizada pela equipe de segurança do trabalho, unidos com o treinamento e capacitação dos funcionários envolvidos, adquire-se prudência e pode-se fazer determinadas perguntas que irão auxiliar na elaboração do plano de ação.

Na limpeza profissional, pensando na qualidade dos serviços prestados, segurança e saúde de todos os envolvidos, devemos estar atentos para identificar qual ou quais são as sujidades, características do ambiente, tempo que se dispõe, recursos humanos e materiais, a estrutura e material do piso teto e paredes, se há objetos e móveis, entre outros. Estes pontos de relevância irão compor um planejamento das ações, determinando metodologia, técnicas, procedimentos e equipamentos, inclusive os de proteção individual (EPI´s) e de proteção coletiva (EPC´s) a serem utilizados (Figura 01).

Figura 01: Exemplos de Equipamentos de Proteção individual (EPI´s) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC´s) comuns em diversas áreas de trabalho do asseio e conservação (fonte:sosepis.com).

 

Estes equipamentos estão diretamente ligados às questões de biossegurança. E por falar em Equipamento de Proteção Individual; você utiliza o EPI adequado e da maneira correta para sua atividade? Quando tiver dúvidas, você pode consultar a Norma Regulamentadora n°06 e localizar, no seu equipamento, o número do Certificado de Aprovação de Equipamento de Proteção Individual (C.A.) Com este número você pode pesquisar informações sobre o uso adequado e correto para o equipamento (a consulta pode ser realizada no site: http://caepi.mte.gov.br/).

O profissional de asseio e conservação é o “recurso” utilizado pelas empresas para atender as demandas da biossegurança em um ambiente laboral. Com seu conhecimento, os apontamentos acima mencionados são colocados e constantemente atualizados no P.O.P. (Procedimento Operacional Padrão). É nesse documento que se encontra a forma de realização dos serviços e os funcionários poderão recorrer sempre que necessário, buscando várias respostas, sobre EPI’s, equipamentos, produtos químicos entre outras, sempre de forma clara, ordenada e organizada.

Nesse documento padrão, também é possível encontrar informações sobre os produtos químicos a serem utilizados e suas diluições. E quando se fala em produtos químicos, a palavra-chave é “rótulo”. Ler e entender o rótulo deve fazer parte da vida do profissional de asseio e conservação. A interpretação do texto e a compreensão dos sinais faz parte da biossegurança (Figura 02).

Figura 02 – Pictogramas de produtos químicos e perigos (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos – GHS), presentes em rótulos de produtos químicos (fonte: http://www2.iq.usp.br/).

 

Toda profissão, atividade ou função tem riscos. Cada profissional deveria estar consciente dos riscos de sua profissão e com o Agente de Limpeza, sobretudo, deve se manter sempre atento aos riscos potenciais da área a ser trabalhada durante toda atividade. A biossegurança tem foco e atenção aos riscos, elencados pelo Programa de Prevenção de Riscos Ambientes (PPRA), que podem ser visualmente observados nos mapas de risco, em cores que determinam graficamente nível e a natureza dos riscos aos quais os trabalhadores são expostos, de acordo com a classificação dos principais riscos ocupacionais (Figura 03).

Figura 03: Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com a sua natureza e a padronização das cores correspondentes, de acordo com a portaria n.º 25, de 29 de dezembro de 1994 do Ministério do Trabalho e Emprego (fonte: http://trabalho.gov.br/).

 

O entendimento e a interpretação dos grupos de risco também auxiliam o profissional a associar a biossegurança com os riscos que ele estará submetido durante a atividade. Sendo assim, o Agente de Limpeza consciente e qualificado está ciente da importância da biossegurança e que, dele origina-se a proteção e a prevenção do “eu”, do “você”, do “nós”, dos animais e do meio ambiente. O profissional de asseio e conservação bem treinado é “A” ferramenta ideal para atender as questões de biossegurança na prestação de serviços em postos de trabalho.

O conhecimento e realização das atividades com foco na biossegurança, faz com que tarefas sejam realizadas com qualidade, planejamento e consequentemente uma execução mais precisa e eficiente. Também traz outro resultado, não menos importante e, buscado pelas empresas: menor dispêndio de energia, tempo e recursos humanos e materiais.

Então, depois dessa leitura vale saber, sua carteira de vacinação está atualizada para sua atividade ocupacional? (Consulte o Calendário de Vacinação Ocupacional 2019-2020 na Sociedade Brasileira de Imunizações https://sbim.org.br).

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