Artigo de Ariane Navas Fruxo de Farias – Professora e Coordenadora do Curso Técnico em Segurança do Trabalho do CEPNKA/FACOP e Engª de Produção e de Segurança do Trabalho

Quando o assunto é eletricidade, normalmente associamos o mesmo somente às atividades de distribuição de energia ou aos profissionais eletricistas. Mas o uso da eletricidade não está restrito apenas a esses trabalhadores, vai muito além.

Em quase todas as atividades profissionais, os trabalhadores podem estar expostos à eletricidade, seja em maior ou menor intensidade. Mas, de modo geral, o contato com um dispositivo, equipamento, ferramenta, máquina, conexões, entre outros materiais elétricos, normalmente acontece durante a jornada de trabalho. Como o uso desses materiais geralmente acontece de forma indireta, nem sempre são tomados os devidos cuidados ao manipular um equipamento ou máquina elétrica e isso pode acarretar em sérios acidentes.

É preciso entender que a ação da eletricidade é extremamente danosa para a saúde humana, muitas vezes letal. O acidente com eletricidade pode acontecer decorrente de um curto circuito, choque elétrico (passagem de uma corrente elétrica pelo corpo) ou arco elétrico ou voltaico (fenômeno com extrema intensidade que resulta em descarga de fluxo de corrente elétrica no ar). Todos esses tipos de acidente elétrico podem resultar em queimaduras gravíssimas, perda de membros (como mãos, braços e pés), parada cardíaca, insuficiência respiratória, queda, convulsões e até mesmo a morte. Ainda é preciso considerar o risco de incêndio.

E o que tudo isso tem a ver com as atividades de asseio e conservação? Simplesmente, tudo.

Na minha trajetória profissional, tive oportunidade de trabalhar em empresas de diversos segmentos: financeiro, produtivo, comercial, educacional, inclusive experiência profissional no exterior. E em todas elas sempre tive proximidade com os profissionais do asseio e conservação e isso me fez perceber que o uso de máquinas e equipamentos é intenso por boa parte dos trabalhadores desse setor.

Hoje, o profissional da limpeza, por exemplo, não usa somente pano, balde, vassoura como acontecia há anos atrás. Muito pelo contrário, tanto o profissional quanto a atividade se modernizaram, com as empresas investindo em novos processos de trabalho e, principalmente, em tecnologia.

O setor do asseio e conservação, aos poucos, vem intensificando o uso de maquinário robusto para tratamento de piso. Os equipamentos não elétricos estão sendo substituídos pelas máquinas tratadoras, lavadoras e varredeiras de piso ou por enceradeiras industriais, politriz, o que torna o processo mais produtivo e padronizado, no entanto, torna maior a exposição do trabalhador perante os perigos da eletricidade.

Alguns procedimentos muito comuns de serem observados são o uso de extensões, benjamins (popularmente conhecidos como “T”), com várias máquinas conectadas a uma mesma tomada, trabalhar com equipamento com cabos ou conexões elétricas desprotegidas, além de ver que os profissionais de setores distintos, inclusive os de limpeza e conservação, possuem acesso livre aos quadros elétricos das empresas.

Essas práticas são muito comuns, porém extremamente perigosas. É possível listar alguns exemplos:

 

PRÁTICAS PERIGOSAS NO USO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS
Ação Perigo Risco
Conectar várias máquinas na mesma tomada ou benjamins Sobrecarrega a rede elétrica, gerar curto circuito Choque elétrico, danificar o equipamento/máquina, morte, incêndio
Deixar o plug da extensão em área molhada, principalmente, caído sobre o piso no momento da limpeza Pode gerar curto circuito Choque elétrico, queimadura, morte, incêndio
Manipular máquinas e equipamentos com cabos e partes elétricas sem proteção Pode gerar curto circuito Choque elétrico, queimadura, morte, incêndio
Mexer no quadro elétrico sem devido treinamento e autorização Pode gerar curto circuito / arco voltaico Choque elétrico, queimadura, morte, incêndio

Quadro 1 – Exemplos de práticas perigosas relacionadas a eletricidade

 

E o que fazer para evitar acidente? Primeiramente, é necessário seguir as medidas de segurança. Quando o assunto é cuidado com eletricidade é recomendado seguir as exigências da Norma Regulamentadora 10 (NR 10) que dispõe parâmetros de segurança, medidas preventivas, proibições, equipamentos de proteção individual e coletiva, treinamentos e outras exigências que minimizam os riscos ao trabalhar com eletricidade. Algumas de nossas orientações são:

  • Realizar verificação de segurança (checklist) de máquinas e equipamentos, especialmente se o fio está em perfeitas condições de uso, ele não pode estar descascado;
  • Análise de risco do local (verificar se não há rede elétrica nas proximidades que possa causar acidente);
  • Usar EPI (Equipamento de Proteção Individual) e EPC (Equipamento de Proteção Coletiva);
  • Desligar sempre o aparelho quando for limpar, guardar, conectar ou desconectar na tomada;
  • Não deixar plugs das tomadas em piso molhado durante a realização da atividade (água é excelente condutora de energia elétrica, podendo causar curto circuito ou choque elétrico no trabalhador);
  • Não passar com equipamento em funcionamento sobre o cabo elétrico, pois o cabo pode se romper e causar curto circuito e choque;
  • Desligar da tomada puxando-o pelo plug e nunca pelo fio;

  • Não puxar nem carregar os aparelhos pelo fio;
  • Não usar extensões comuns para ligar aparelhos de grande consumo de energia. Usar cabo industrial de capacidade adequada;
  • Quando carregar um aparelho, tomar cuidado para não tocar em áreas energizadas;
  • Não tocar na parte elétrica dos aparelhos com objetos de metal;
  • Não passar fios debaixo de mobílias, pois pode causar incêndios;
  • Mantenha qualquer aparelho longe de locais úmidos. Até mesmo desligados podem provocar choques;
  • Não mexer em quadros elétricos, nem mesmo para ligar/desligar luzes. O acesso aos quadros elétricos deve ser feito somente por profissionais autorizados;
  • Em caso de acidente, não tocar na vítima, desligar a fonte de energia imediatamente e chamar atendimento médico.

O perigo em trabalhar com a eletricidade sempre vai existir, mas seguindo corretamente as orientações disponibilizadas pela empresa e treinamentos, fará com que você, profissional, trabalhe com maior segurança e tranquilidade.

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